É complicado falar sobre algo que nem nós mesmos entendemos direito. Você não sabe por onde começar e quando começa se vê perdido no meio de tudo sem saber qual será o próximo passo, sem conseguir parar. E quando finalmente pensa que terminou, você está redondamente enganado, é apenas o começo de tudo.
Todo dia me parece igual agora, abro os olhos e vejo de leve o sol, já alto, entrando pela janela. Meu quarto ainda gélido guarda as lágrimas que a ele foram confiadas durante a noite, soluços em meio a escuridão. Segredos tão bem guardados... As paredes transbordando gotas de saudade, levemente iluminadas pelo sol, não são as mesmas paredes brancas de ontem. Minha cama, já não é mais minha cama sem teu corpo para aquecer o meu. Meus olhos, já não são mais meus olhos sem poder ver os teus. Minha boca, já não é mais minha boca; ainda guarda de bom grado o gosto da tua. Meus lábios aguardam os teus, que parecem nunca chegar.
Como de costume a noite chega, mais uma vez e me afundo em meus travesseiros, não é a mesma coisa. Eles não possuem nem de perto o perfume que eu tanto gosto. Começo a falar, sozinha, não obtenho resposta. Você não está lá, o ciclo recomeça. As paredes escurecem, vejo o meu reflexo no espelho, ele chora. Meus olhos já secos se fecham sob um rosto cansado de esperar que voltes, eles sabem que não adianta, no dia seguinte estará tudo igual, o sol, as paredes, o frio, o vazio, nada vai mudar...

