quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Sempre?

Quando você disse para sempre
Eu tive certeza
A certeza de que você era apenas mais um
E agora vejo com clareza que eu estava certa
Porque mesmo sabendo de tudo, eu estava cega


Estava cega de amor por ti
E não havia nada que pudessem fazer para me curar
Eu estava doente
Simplesmente viciada no teu sabor
Até o modo como você me tratava

Eu andava sempre em frente
Em frente, porém contra todos
De olhos vendados andando contra a multidão
De olhos vendados e voltando ao passado



Quando eu disse para sempre
Eu sabia que era mentira
Mas queria que fosse a mais pura verdade
E eu estava mais uma vez certa
O meu para sempre ainda vive, sempre

Ainda ouço a sua voz distante
Ela me chama
Diz que me ama
Engraçado como o tempo muda para nós

Um segundo para quem espera por uma resposta
Eternidade
Uma hora ao lado de quem se ama
O tempo voa
Mas para sempre é nunca acabar

E o “nunca acabar” sempre acaba
E o “para sempre” vira nunca
E o nunca não vale a pena
E para não valer a pena é melhor nem começar

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

"Pecado
O pecado me atrai, o que é proibido me fascina!"

Clarice Lispector.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Quando tudo o que conhecemos desaparece.

É complicado falar sobre algo que nem nós mesmos entendemos direito. Você não sabe por onde começar e quando começa se vê perdido no meio de tudo sem saber qual será o próximo passo, sem conseguir parar. E quando finalmente pensa que terminou, você está redondamente enganado, é apenas o começo de tudo.
            Todo dia me parece igual agora, abro os olhos e vejo de leve o sol, já alto, entrando pela janela. Meu quarto ainda gélido guarda as lágrimas que a ele foram confiadas durante a noite, soluços em meio a escuridão. Segredos tão bem guardados... As paredes transbordando gotas de saudade, levemente iluminadas pelo sol, não são as mesmas paredes brancas de ontem.
            Minha cama, já não é mais minha cama sem teu corpo para aquecer o meu. Meus olhos, já não são mais meus olhos sem poder ver os teus. Minha boca, já não é mais minha boca; ainda guarda de bom grado o gosto da tua. Meus lábios aguardam os teus, que parecem nunca chegar.
            Como de costume a noite chega, mais uma vez e me afundo em meus travesseiros, não é a mesma coisa. Eles não possuem nem de perto o perfume que eu tanto gosto. Começo a falar, sozinha, não obtenho resposta. Você não está lá, o ciclo recomeça. As paredes escurecem, vejo o meu reflexo no espelho, ele chora. Meus olhos já secos se fecham sob um rosto cansado de esperar que voltes, eles sabem que não adianta, no dia seguinte estará tudo igual, o sol, as paredes, o frio, o vazio, nada vai mudar...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011




Sou escritor inconstante.
E preciso ser inconstante para escrever.
E escrevo por ser inconstante.


Parece que foi ontem que tudo começou
Parece que já se passaram meses desde que tive que partir.
Seus gestos, seus sorrisos, cada palavra dita, eu levarei comigo.
Afinal, eu mal cheguei e já sonho com o dia em que acordarei ao seu lado novamente.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sabe, querida,

eu tenho tantas coisas para te falar, mas parece que as palavras somem quando quero usá-las, principalmente contigo. Por mais clichê que seja, certa é a frase que diz que “palavras são insuficientes para definir o amor” ela é a coisa mais certa a se dizer aqui.
         Já dizia a física “a energia não se ganha e não se perde, ela se transforma.” O que é o amor se não energia? Eu seria hipócrita em dizer que não sinto mais nada por ti. Eu sinto, amo-te tanto que chega a doer. Lá no fundo há uma dor constante, ela fala por um coração louco por ti e por uma mente que só pensa em te ter. Apenas não sabe o que fazer.
         Por horas já chorei, sempre pensando em ti, o mesmo motivo me faz sorrir por dias seguidos. Sua inconstância me completa, sua voz me acalma, sua risada me alegra, seus sorriso? Ainda não sei, mas espero ansiosa o dia em que poderei te tocar.
         Já sou capaz de sentir o seu corpo junto ao meu, com um sorriso em um abraço interminável. O mesmo abraço que deixará lágrimas na partida. Às vezes tento não pensar tanto em ti, ocupar a minha mente com outras coisas, mas ela insiste em você. É um vício incontrolável, o desejo de passar cada segundo que ainda tenho contigo, afinal “cada instante é muito tempo sem você”.
         E eu já cansei de imaginar o dia em que tudo será diferente, ou melhor, o dia em que tudo será como já foi um dia, o dia em que eu vou acordar e fazer alguma coisa sem pensar em você. Não teria te conhecido se soubesse que ia doer tanto, mas também não saberia o que é ser feliz com pouco.
         Não vou sair mentindo e dizendo que te quero como te tenho agora, como posso me contentar com algo bom, depois de ter o melhor? Como podem me dizer que existem vários peixes na água se em todas as águas que eu provei não havia peixe algum? Tudo bem, eu não sou muito boa com analogias mesmo e não ligo se alguém não entender esta. Nada vai mudar mesmo.
         Talvez seja apenas por você que eu continue indo em frente todos os dias, fazendo sempre as mesmas coisas, alimentando sempre o mesmo sonho idiota: te conhecer. Eu não sei, mas tenho em mente que nesse dia alguma coisa vai mudar, algo me diz que vai ser diferente. Só de imaginar me dá uma angustia, uma vontade de chorar e eu nem ao menos sei o por que.
         Procuro desesperadamente em outros lábios te encontrar, mas como saber se encontrei? Acho realmente que nunca vou consegui saber, talvez, somente talvez, seja por isso que sou quem sou. Você me fez ser forte o suficiente para aguentar qualquer dor, me fez ter coragem o suficiente para dizer ‘eu te amo’, mas afinal o que seria esse nosso amor?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Estou aqui sozinha agora
Vagando pelas ruas escuras da cidade
Elas não eram tão escuras ontem
Antes de você me deixar

Quando você se foi
Apagou todas as luzes
Eu não vejo nada ao certo agora
Está tudo escuro
Porque você teve que me deixar?
Assim, tão de repente
Sem aviso prévio
Eu nem pude me preparar

Não sei mais viver sozinha
Você me mostrou que sou incompleta
Que não posso mais viver na escuridão
Então porque agora, justo agora?

Estávamos quase lá
Conseguindo pular o muro
Vencendo todas as barreiras
Faltava apenas o seu medo

Sabe, você tem medo de ser feliz
Se faz de louca
Irracional
Mas na verdade é simplesmente indefesa

Dizer-te isso não adianta
Sei que nem mesmo eu posso te trazer de volta
Você é da noite
Com ela vem e com ela se vai

O que mais gosto
Sua inconstância
Nunca sei quando partirá
E nem quando voltará

Mas com a noite vem a escuridão
E agora você se foi
Não volta mais com ela
E não deixou a luz acesa

Da próxima vez
Quando for arranjar outro tolo para iludir
Não fique com um qualquer
Escolha quem não tem medo do escuro