Não sentia dor enquanto a faca passava de leve por seu pulso quase sem cor. Apertou com mais força, sentiu uma pontada aguda e viu o sangue começar a escorrer por seu braço, ficou paralisada, apenas vendo-o formar uma gota e cair, manchando o piso branco. Pegou uma toalha branca e passou sobre o ferimento, colocou-a depois sobre a escrivaninha. A faca agora ao lado da toalha refletia a fraca luz que era proveniente de um abajur ao lado da cama. Sentia a adrenalina passar por cada músculo do seu corpo, o desejo de sangue e a calma que aquele momento a proporcionavam impediam-na de parar. Pegou novamente a faca e limpou-a no lençol branco, para logo depois passá-la sobre o pulso já pálido. Outro corte havia sido feito, outra gota manchara o chão, a toalha, a faca, os lençóis. Não tinha espírito autodestrutivo, não pretendia se matar, não queria sentir dor, pelo contrário, aquilo lhe causava prazer. Um espasmo tomou conta de seu corpo e ela se lembrou da ultima vez que estivera com ele: lágrimas caíram no chão, na toalha, nos lençóis, em seu peito cheio de amor.

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